Detroit

Recentemente assisti ao filme Detroit da diretora Kathryn Bigelow. Assisti com uma expectativa alta, pois já havia assistitido outros filmes de Kathryn e gostado bastante, como Guerra ao Terror e A hora mais escura, que lhe rendeu indicações e 2 estatuetas.

Detroit em Rebelião detroit-10

Ao contrário de muitos filmes, a tradução em português para Detroit não ficou ruim. A história se passa durante um período de rebeliões em 1967 na cidade de Detroit, motivadas, principalmente, por questões raciais envolvendo a polícia. Nessa época, o racismo ainda era muito forte nos Estados Unidos, de modo que a polícia também era considerada muito racista.

Durante essas rebeliões e motins, em que diversos vândalos simplesmente quebravam tudo e colocavam fogo na cidade, um incidente no Motel Algiers ficou marcado pela forma como a polícia conduziu uma chamada. os acontecimentos chegam a ser tão absurdos que você não consegue acreditar que os fatos realmente ocorreram. Embora algumas coisas foram retratadas de modo ficcional, a maioria dos eventos realmente aconteceram.

Crítica ao filme

Eu gostei bastante do filme. A ambientação, o modo como os fatos foram retratados e atmosfera desenvolvida conseguem gerar um ambiente de imersão. Caso você queria um filme com final feliz, fique longe deste. É um filme complexo, que te leva a pensar e refletir sobre várias coisas da vida. A nominação de Kathryn Bigelow ao Oscar de melhor diretor por esse filme é praticamente certa, porém não acredito que ela irá ganhar, embora tenha feito um excelente trabalho. As atuações são boas, mas não são marcantes.

Racismo

Uma das principais discussões está relacionada ao racismo. O racismo no filme é forte, porém não é exagerado. É retratado apenas o que realmente aconteceu, o que pode te deixar um pouco revoltado.

Veredito

Caso você goste de filmes baseados em fatos reais, que não tenham medo de retratar os fatos, com uma boa atmosfera e uma discussão relevante, esse filme é para você. Caso esteja procurando um filme leve para se divertir, não recomendo.

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Dunkirk e o Resgate do Soldado Ryan

Recentemente assisti ao filme Dunkirk, do diretor Christopher Nolan. A crítica geral aprovou o filme e como eu gosto bastante do trabalho de Nolan eu resolvi assistir a mais um filme desse aclamado diretor. Antes de ver o filme, vi uma pessoa falando em um discussão online que o filme era fraco e que O Resgate do Soldado Ryan era bem melhor e não foi preciso tanta tecnologia para criá-lo. Na hora eu achei a comparação um pouco desproporcional, mas como não havia assistido ao filme de Spielberg também, resolvi vê-lo e tirar minhas próprias conclusões. 

Dunkirk

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A primeira recomendação que eu vi sobre o filme é que eu deveria vê-lo com um bom sistema de som. Como perdi a oportunidade de ver no cinema, peguei meus melhores fones de ouvido para poder apreciar a obra. E de fato o som é um diferencial. Em um filme com pouquíssimos diálogos, a equipe de som conseguiu suprir bem essa ausência.

Sobre o filme em geral eu achei um bom filme, porém faltou alguma coisa. Ele conta três histórias paralelamente que se misturam em algumas cenas, porém eu não consegui me conectar aos personagens. Isso deve ter se dado provavelmente porque o filme não se dá ao trabalho de desenvolver muito os personagens, com poucos diálogos. Ao contrário de Interestelar, em que eu me vi extremamente conectado aos personagens, Dunkirk deixa a desejar nesse ponto. Mas eu não creio que esse tenha sido o objetivo de Nolan, devido ao modo como ele apresenta seus personagens. Os atores são bons, mas nenhuma atuação é marcante.

A impressão que eu fiquei é que Nolan se preocupou mais em como filmar a história do que a história em si. Áudio e fotografia muito bem feitos, porém com uma história que não é imersiva. Ainda assim, se você gosta de filmes de guerra, vale a pena assistir.

O Resgate do Soldado Ryan

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Assisti a esse filme com uma expectativa bem alta. Ganhador de 5 Oscars, me preparei para uma grande obra de arte do cinema. E me decepcionei um pouco. Embora eu já tinha visto algumas cenas quando o filme passou na TV aberta, não me lembrava de quase nada. E como eu tenho uma lacuna de alguns clássicos do cinema que eu ainda não assisti, decidi preenchê-la um pouco com esse filme.

Em comparação com Dunkirk, a história é muito melhor desenvolvida, assim como os personagens. Mas com quase três horas de filme, isso não deveria ser novidade. Porém eu esperava mais. Para mim, algumas cenas foram completamente previsíveis, e não achei a atuação de Tom Hanks um primor digno de Oscar (ao contrário de Forest Gump, em que ele foi extremamente bem). Mais uma vez eu não consegui me conectar muito com os personagens. Mesmo quando eles morrem, não me senti impactado. Talvez isso seja um problema mais meu do que da obra em si. Engraçado que em “O jogo da imitação” eu consegui me conectar.

Como Dunkirk, ainda considero que vale a pena assistir. Comparando os dois, o Resgate do Soldado Ryan é um pouco melhor, mas nada muito significativo. Metrificando, dou 7/10 para Dunkirk e 7,5/10 para o Resgate do Soldado Ryan. Infelizmente, esperava mais de ambos.

Alan Turing e “O Jogo da Imitação”

Recentemente assisti ao filme “O Jogo da Imitação“, que fala sobre a vida de Alan Turing, especificamente durante a Segunda Guerra Mundial. O filme é de 2014 e recebeu 8 indicações ao Oscar, ganhando apenas uma estatueta. Eu deveria ter assistido a esse filme antes, porém por motivos que eu não consigo explicar, assisti somente nessa semana. O texto abaixo contém spoilers.

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Alan Turing (Benedict Cumberbatch) e sua máquina no filme “O Jogo da Imitação”

Sinopse

O filme é baseado em fatos reais e conta a história de Alan Turing durante o período da Segunda Guerra Mundial. Caso você não saiba, Turing é considerado o pai da computação e é um dos grandes responsáveis por existirem computadores hoje em dia.

Durante a guerra, o alemães possuíam uma máquina chamada “Enigma“, que eles adaptaram e utilizavam para enviar mensagens codificadas. Desse modo, somente quem sabia a combinação correta conseguia descodificar as mensagens. Devido ao grande número de combinações possíveis, era humanamente impossível decodificar as mensagens. Desse modo, Alan Turing lidera uma equipe e cria a famosa “Máquina de Turing”, que consegue decodificar as mensagens.

Um pouco de história

O filme apresenta a sua versão da história de forma hollywodiana, é óbvio. Muitos dos fatos retratados no filme não são verídicos ou foram adaptados para o cinema. Porém, em essência, é fiel ao que realmente aconteceu.

A segunda guerra mundial foi decidida em duas grandes batalhas: Stalingrado e a invasão da Normandia. É lógico que não podemos reduzir a guerra à essas duas batalhas, mas elas foram as mais importantes para a queda do Eixo.

Embora a invasão da Normandia ser considerada a mais importante, chamada até de Dia D, a batalha de Stalingrado foi a mais importante. E é nesse ponto que o filme é menos fiel à história. Embora seja comprovado que a decodificação das mensagens foi de extrema importância para o planejamento do Dia D, não existem comprovações de que essas informações foram vitais em Stalingrado. Isso porque Stalingrado foi travada pela União Soviética e não pela Inglaterra (país de Turing). Assim, embora Turing tenha sido muito importante para o fim da guerra, os créditos dados a ele no filme são exagerados.

Morte de Turing

Apesar de suas incríveis contribuições à serviço do seu país Alan Turing foi, posteriormente, condenado por ser homossexual (na época, era crime na Inglaterra). Infeliz e depressivo, incapaz de ser feliz com sua sexualidade, Turing acabou se suicidando aos 41 anos.

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Alan Turing se matou aos 41 anos.

É realmente uma pena que um ser humano tão brilhante tenha tido um fim como esse. Não tenho dúvidas de que o mundo seria outro se ele tivesse vivido mais e continuasse contribuído para o avanço tecnológico da humanidade.